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terça-feira, 26 de abril de 2011

C de Cavalo


Oi, pessoal! Tive a ideia desse conto ontem mesmo, na universidade, enquanto discutíamos sobre ensino e aprendizagem na escola. Pois é, enquanto todo mundo falava de como abordar as crianças em situações de conflito cognitivo no processo de aprendizagem, eu imaginava como resolver o problema do Tavinho.
Espero que gostem!
Boa semana à todos!


C de Cavalo

Completou cinco anos em janeiro daquele ano e já há dois frequentava a escolinha. Tavinho era uma criança de mente peculiar. Sempre com perguntas sabidas que desconcertavam os mais velhos. Estava tendo o primeiro contato com as letras do nosso alfabeto. A professora na sala de aula cantava musicas alegres com as letrinhas e repetia incansavelmente com toda a classe as vogais. E ainda mandava, no caderno, deveres para fazer em casa.

A mãe, dedicada que era, ajudava o filho com os estudos. Depois do lanche da tarde, era rotina, sentavam-se a mesa da cozinha e lá mesmo iniciavam os trabalhos. Depois de todos os deveres prontos, era uma bagunça só o que restava sobre a mesinha redonda. Lápis coloridos para todo lado, folhas de papel rabiscadas e amaçadas, aparas de lápis no chão ao lado da cadeira, cola derramada sobre a toalha da mesa... Sobrava tudo para a mãe limpar.

Um dia, porém, enquanto desenvolviam uma atividade que a professora de Tavinho mandara no caderno, surgiu uma dúvida inquietante. A tarefa era simples, consistia em fazer uma relação entre duas colunas, uma de letras do alfabeto, outra de figuras cujos nomes iniciavam com as letras do alfabeto. A de avião. Tavinho fazia um traço ligando a letra A a figura do avião. B de bola. A mãe repetia, enquanto Tavinho escolhia outra cor para fazer outro traço. C de cavalo...

“Epa! C de cavalo não, mãe!” disse o menino, com olhar indagador para a mãe.
Por sua vez, a mulher, tornou a repetir: “Sim, meu filho, C de cavalo. Veja!” E escreveu a palavra cavalo no canto do papel.

Como Tavinho ainda não sabia ler, não fez diferença. E ele insistiu: “C de cavalo não, mãe!” Agora não havia tom de dúvida na voz do menino. Estava certo do que dizia.

“Mas por que não?” perguntou a mãe, confusa.

“Porque não é cevalo” concluiu Tavinho.

E com isso, deu-se continuidade a atividade, sem se falar mais na letra C.

Depois de alguns dias após esse acontecimento, no feriado de páscoa o pai de Tavinho levou a família para passar o final de semana no campo. E todos teriam o prazer de cavalgar em belos cavalos de pelagem lustrosa. Numa tarde quente, porém, Tavinho vagava pelo curral vazio, todos os cavalos estavam no estábulo, quando tropeçou em um objeto que fora largado ali no chão de lama seca. Abaixou para pegar o tal objeto e reconheceu uma grande letra C em puro ferro.

Com a letra de ferro bem segura nas mãos, Tavinho correu de encontro aos pais que conversavam com outros adultos na varanda da velha casa de campo. Perdurou-se na cerca da varanda e tratou logo de expor o objeto para a mãe, nem se importando se atrapalhava a conversa de alguém ou não, pois julgava que aquilo era mais importante.

“Mãe, vê só! Encontrei a letra C no curral!”

O pai, irritado por ter, o menino, entrado justamente no meio de uma das suas narrativas aventurosas, respondeu de lá, grosseiro: “Que C, que nada! É a ferradura do cavalo, menino”.

De cá, Tavinho saltou da varanda depressa e correu ao estábulo. Chegando lá, pediu ao S. Gilvandro, que cuidava dos animais, para ver a pata do primeiro cavalo que encontrou. Sem entender direito, o homem obedeceu, antes que o menino inventasse birra.

S. Gilvandro ergueu a pata de um belíssimo cavalo, muito manso, e Tavinho viu ali outra ferradura idêntica a que tinha em sua mão cravada sob a pata do animal. O menino, tomado de súbita compreensão, murmurou para si: “Entendi, C de cavalo”. E saiu do estábulo, admirando a ferradura.

3 comentários:

  1. É, C de cavalo...
    Fiquei pensando nisso...

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  2. rsrs, Felipe Neto diria: Não faz sentido!
    É o mesmo anônimo que tem comentado no outro texto?
    Obrigado por ler.

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