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segunda-feira, 11 de janeiro de 2010



[Conto]

O menino que colecionava borboletas


O menino que se chamava Teles, que tinha onze anos e que caçava borboletas estava dentro do seu quarto sobre sua cama e observava a sua coleção de borboletas coloridas em uma caixa de vidro pregada à parede. Teles sentia muito orgulho da sua coleção. Muito mais do que sentia pelas suas notas na escola, mas especialmente matemática, porque ele só sabia contar borboletas, e essa era a única coisa que a professora nunca pedia para ele contar.

Com sua rede, presente que ele mesmo lhe dera no seu oitavo aniversário, Teles saia todas as tardes para a orla do bosque de onde vinha as mais belas borboletas sobrevoar o seu quintal. Teles guardava suas borboletas dentro de uma caixinha com furinhos para que elas não morressem logo. Depois sentava-se em uma pedra e contava quantas borboletas havia capturado até o aquele momento. Ele contava uma, duas, três amarelas; quatro, cinco, seis violetas; sete, oito, nove azuis. Foi quando ele avistou, pousada sobre um galho de uma árvore ali bem próximo, a borboleta mais vermelha que ele já vira, e que jamais possuíra.

Teles percebeu que não tinha uma borboleta vermelha em sua coleção. Instantaneamente, sentiu a necessidade de ter uma borboleta daquela cor junto às outras. Na verdade, era o que ele mais desejava do fundo do coração, pensou ele. Fechou sua caixinha cuidadosamente. Agarrou sua rede com firmeza e foi se aproximando do galho onde se encontrava a borboleta vermelha, furtivamente para que ela não o visse, ou ouvisse, ou sentisse, seja lá quais forem os sentidos que têm as borboletas. Quando estava bem próximo, Teles esperou um segundo para se preparar e atacou. Infelizmente para ele, e felizmente para a pobre borboleta a primeira tentativa falhou. A sortuda borboleta abriu suas asas enormes no momento certo e conseguiu escapar antes de se ver presa na rede do menino. O resultado disso não passou de um galho quebrado, espalhando folhas para todo lado.

A borboleta vermelha fugiu para dentro do bosque. E Teles foi atrás dela. A borboleta vermelha tentou se esconder atrás de uma árvore. E Teles pregou um baita susto nela. A borboleta vermelha ficou cansada. E Teles quase a alcançou. Mas então a borboleta vermelha voou para dentro de um grande carvalho no centro de uma grande clareira no meio daquele grande bosque. Aquele era o maior carvalho que Teles já tinha visto. O menino não pode deixar de ficar desconfiado, em dúvida se deveria se aproximar mais ou se desistia de ter a borboleta em sua coleção. Por fim, tomou coragem e foi direto para a enorme árvore.

Quando Teles estava perto o suficiente do carvalho, alguma coisa gigantesca saiu lá de dentro e saltou sobre ele. Teles tentou fugir, mas viu-se preso por oito pernas grudentas. Tentou se mexer, mas seu corpo estava sendo pressionado contra um monte de pêlos ásperos e negros. O menino não conseguia ver para onde estava sendo levado, mas sabia que estava sendo erguido do chão e que em seguida fora colocado em algum lugar indecifrável, onde seus pés não tocavam o chão e seus braços e pernas ficavam presos à parede.

O menino olhou em volta e presumiu que estivesse dentro do grande carvalho. Era como a sala de estar da sua casa, só que ao invés de tijolos e cimento o piso e as paredes eram feitos com os próprios galhos e folhas da árvore. A sua frente estava uma centena de borboletinhas que rodopiavam alegremente em volta da Borboleta Mãe, com mais de dois metros de comprimento só de asas, e uma cara negra asquerosa.

Teles tomou um grande susto quando a voz de um menino roliço lhe disse “Oi!” e depois dele uma voz mais próxima ao seu ouvido de uma menina cheia de sardas perguntou seu nome. Só então Teles percebeu o que havia lhe acontecido e começou a chorar. Porque sobre ele, ao seu lado e mais para lá, uma coleção de meninos e meninas pendurados com suas redes de caçar borboletas pelos braços e pernas nos galhos do interior do grande carvalho se inclinava para vê-lo.

2 comentários:

  1. Isso é uma "lenda" criada por você? Leia meu conto "VIVA PARA SEMPRE".

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  2. Oi EXtranjero Potter, Não se trata de uma lenda. Esse texto foi criado inicialmente para ser uma história em quadrinhos que não cheguei a terminar, mas pra não perder o trabalho resolvi desenvolve-lo como aqui está publicado. Obrigado por ler.

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